Política
Quinta, 06 Outubro 2016 23:58

STF fatia principal inquérito da Lava Jato, e Lula passa a ser investigado

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O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou hoje a divisão em quatro inquéritos da maior e principal investigação da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura se existiu uma organização criminosa, com a participação de políticos e empresários, para fraudar a Petrobras. Com a decisão, tomada após pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a ser alvo de um desses inquéritos, o que vai apurar a atuação do PT no esquema investigado. Outros políticos que também serão investigado são o deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O chamado "inquérito-mãe" da Lava Jato tinha oficialmente 39 investigados – a maioria do PP. Agora, serão 66 investigados: o inquérito sobre o PP terá 30 investigados; o do PT, 12 investigados, entre eles o ex-presidente Lula; o do PMDB no Senado, nove; e o do PMDB na Câmara, 15. Isso porque, apesar de ser um esquema amplo na Petrobras, as investigações apontam para existência de subesquemas na estatal, na qual cada partido dominava uma diretoria e atuava em desvios nos contratos de cada uma delas. As investigações apontam que o PP atuava para desviar valores da Diretoria de Abastecimento. A partir daí, havia pagamento de propina a políticos do partido. Já o PT atuava nos contratos da Diretoria de Serviços, enquanto o PMDB tinha como foco desviar recursos da Diretoria Internacional, segundo as investigações. Pedido de fatiamento Ao pedir o fatiamento da maior e principal investigação da Operação Lava Jato, Janot afirmou que os partidos PP, PT e PMDB se organizaram internamente para cometer crimes contra a administração pública, Por isso, justificou o procurador, a apuração deve ser dividida para "melhor otimização do esforço investigativo". Para Janot, o pedido de divisão não muda o fato de que existiu "uma teia criminosa única" na estatal. "Os elementos de informação que compõem o presente inquérito modularam um desenho de um grupo criminoso organizado único, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura com vínculos horizontais, em modelo cooperativista, em que os integrantes agem em comunhão de esforços e objetivos, e outra em uma estrutura mais verticalizada e hierarquizada, com centros estratégicos, de comando, controle e de tomadas de decisões mais relevantes", disse o procurador no pedido."Como destacado, alguns membros de determinadas agremiações organizaram-se internamente, valendo-se de seus partidos e em uma estrutura hierarquizada, para cometimento de crimes contra a administração pública", afirmou.Janot considerou que o fatiamento vai racionalizar os trabalhos. "Com isso, poderá ser atribuída ordenação e organização das ações, melhor controle e percepção da realidade criminosa, melhor avaliação das hipóteses e racionalização dos meios a serem empregados durante os trabalhos." Lula Com a decisão de Teori, Lula passa a ser investigado em dois inquéritos no STF, já que ele já era investigado por tentativa de obstrução à Justiça. Além disso, o ex-presidente é réu na Justiça do Distrito Federal por tentativa de atrapalhar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e réu na Justiça do Paraná por suspeita de corrupção em razão da relação que mantinha com a construtora OAS. Veja quem será investigado em cada um dos quatro novos inquéritos da Lava Jato: Núcleo do PT (12 investigados) - Antonio Palocci, ex-ministro - Delcídio do Amaral (sem partido-MS), senador cassado - Edinho Silva, ex-ministro e prefeito eleito de Araraquara (SP) - Erenice Guerra, ex-ministra - Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete de Dilma - Jaques Wagner, ex-governador da Bahia - João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT - José Carlos Bumlai, pecuarista - Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República - Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula - Ricardo Berzoini (PT-SP), ex-ministro e ex-deputado - Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras Núcleo do PMDB da Câmara (15 investigados) - Alexandre Santos (PMDB-RJ), ex-deputado federal - Altineu Cortês (PMDB-RJ), deputado federal - André Esteves, sócio do banco BTG Pactual - André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara - Aníbal Gomes (PMDB-CE), deputado federal - Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), deputado federal - Carlos Willian (PTC-MG), ex-deputado federal - Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado cassado e ex-presidente da Câmara - Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", lobista - Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) - Lúcio Bolonha Funaro, doleiro - João Magalhães (PMDB-MG), deputado estadual - Manoel Júnior (PMDB-PB), deputado federal - Nelson Bounier (PMDB-RJ), ex-deputado federal e prefeito de Nova Iguaçu (RJ) - Solange Almeida, ex-deputada e prefeita de Rio Bonito (RJ) Núcleo do PMDB do Senado (9 investigados) - Edison Lobão (PMDB-MA), senador e ex-ministro - Jader Barbalho (PMDB-PA), senador - Jorge Luz, lobista - Milton Lyra, lobista - Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado - Romero Jucá (PMDB-RR), senador - Sérgio Machado, ex-senador e ex-presidente da Transpetro - Silas Rondeau, ex-ministro - Valdir Raupp (PMDB-RO), senador Núcleo do PP (30 investigados) - Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), deputado federal e ex-ministro - Aline Correa (PP-SP), ex-deputada federal - Arthur Lira (PP-AL), deputado federal - Benedito Lira (PP-AL), senador - Carlos Magnos Ramos (PP-RO), ex-deputado federal - Ciro Nogueira (PP-PI), senador - Dilceu Sperafico (PP-PR), deputado federal - Eduardo da Fonte (PP-PE), deputado federal - Gladson Cameli (PP-AC), senador - Jerônimo Goergen (PP-RS), deputado federal - João Pizzolatti (PP-SC), ex-deputado federal - João Leão (PP-BA), vice-governador da Bahia - José Linhares (PP-CE), ex-deputado federal - José Otávio Germano (PP-RS), deputado federal - Lázaro Botelho (PP-TO), deputado federal - Luis Carlos Heinze (PP-RS), deputado federal - Luiz Fernando Faria (PP-MG), deputado federal - Nelson Meurer (PP-PR), deputado federal - Renato Molling (PP-RS), deputado federal - Roberto Balestra (PP-GO), deputado federal - Roberto Britto (PP-BA), deputado federal - Simão Sessim (PP-RJ), deputado federal - Vilson Covatti (PP-RS), ex-deputado federal - Waldir Maranhão (PP-MA), deputado federal - Luiz Argolo (SD-BA), ex-deputado federal (era filiado ao PP) - Pedro Correa (PP-PE), ex-deputado federal - Mário Negromonte (PP-BA), ex-deputado federal e conselheiro do TCE-BA - Missionário José Olímpio (DEM-SP), deputado federal (era filiado ao PP)

 

 

Fonte: G1

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