Polícia

Quarta, 01 Março 2017 10:43

Tribunal nega pedidos de liberdade a PM preso no ES

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Dois pedidos de liberdade para o tenente-coronel Carlos Alberto Foresti, feitos ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo, foram negados na segunda-feira (27) pelo desembargador Willian Silva. Foresti foi preso no sábado (25). Ele é um dos quatro PMs que tiveram a prisão decretada pela Justiça por suspeita de iniciar o movimento nos quartéis do Espírito Santo. A advogada Karina Nunes, que representa o Coronel Foresti, disse que a defesa não teve acesso ao inquérito policial militar e que o detido não tem conhecimento do que está sendo acusado. A advogada explicou que a defesa está desde sábado em busca de ter acesso ao inquérito. Segundo ela, as prisões caracterizam um grave cerceamento da defesa, o que ela considera inconstitucional. O ex-deputado federal e militar da reserva, Lucinio Castelo de Assumção, mais conhecido como Capitão Assumção; e o sargento Aurélio Robson Fonseca da Silva, mais conhecido como Sargento Robson também foram presos. Já o soldado Maxsom Luiz da Conceição está foragido. O primeiro pedido de habeas corpus do tenente-coronel Foresti, apresentado pela advogada Patrícia Maria Rocha Teixeira Dias, foi na madrugada do dia 27. Ela argumentou que o militar estava com a saúde debilitada e que não teve acesso ao processo e aos motivos de sua acusação. O desembargador Willian negou o pedido com o argumento de que não foi “capaz de vislumbrar a verossimilhança das alegações trazidas” pela advogada. Disse ainda que a prisão encontra-se justificada não apenas “na garantia da ordem pública como também na exigência da manutenção das normas ou princípios de hierarquia e disciplina militares”, disse em sua decisão, concedida às 2h15. A advogada apresentou um novo pedido de libertação para o militar, no mesmo dia, que voltou a ser avaliado pelo mesmo desembargador. E outra vez foi negada a sua soltura. O desembargador ainda ressaltou que o “plantão judiciário não se destina à reiteração de pedido já apreciado no órgão judicial de origem em plantão anterior, nem a sua reconsideração ou reexame, motivo pelo qual é vedada uma nova análise acerca da liberdade pretendida”, disse em sua segunda decisão. Acrescentou ainda que os argumentos apresentados pela defesa do militar não eram suficientes para remover a sua prisão. “Além disso, também já ponderei acerca da situação de saúde do paciente, que, a meu sentir, não se demonstrou ser incompatível com a custódia (prisão)”, finalizou sua segunda decisão, concedida às 22h45, do dia 27. Entenda as denúncias contra os 4 PMs Confira a participação dos militares na articulação do movimento em frente aos quarteis da PM, segundo investigação da corregedoria da PM: Capitão Assumção Para a Corregedoria da Polícia Militar, não há dúvidas sobre a participação do policial da reserva (aposentado) e ex-deputado federal, no movimento. Segundo a investigação, ele estava na “articulação, coordenação, manipulação, promoção, incentivo e divulgação das atividades do movimento. Postou vídeos, subiu em carros de som fazendo discursos de incentivo ao movimento, teria intimidado militares do Exército e feito ameaças, caso fosse feito alguma coisa contra os militares que estavam paralisados. Em discurso durante uma das passeatas, em um carro de som, disse: “Se alguém encostar a mão em vocês, é chumbo grosso”. Ele também percorreu batalhões no Norte do Espírito Santo. “Onde diz que foi bem recebido, numa demonstração de articular o movimento em outras unidades. No mesmo vídeo faz um apelo final: Sustenta!”, diz o texto da investigação sobre um vídeo feito pelo capitão. Soldado Maxson O soldado Maxson Luiz da Conceição é presidente da Associação Geral de Militares (Agem). A instituição teria oferecido advogados para o Movimento das Mulheres. Eles foram inclusive fotografados em reuniões de negociações das líderes com o governo. E a esposa dele, Suzana Baptista da Silva da Conceição, participaria do movimento das mulheres. Sargento Robson Aurélio Robson Fonseca da Silva, vice-presidente da Agem, convocou pelas redes sociais policiais militares a irem para as unidades da PM garantirem a segurança das mulheres. Também chama os policiais para voltarem para a frente dos batalhões que estavam bloqueados. Tenente-coronel Foresti O militar Carlos Alberto Foresti ordenou que os policiais do Ciodes desligassem seus radiocomunicadores, o que impediria que ocorrências fossem atendidas. Em seguida, pediu a um sargento para gravar um áudio e enviar para o soldado Maxson, da Agem, relatando o ocorrido. Mais tarde, segundo a investigação, postou outro vídeo nas redes sociais. “Incitando outros militares e a população capixaba a aderirem aos propósitos dos grevistas, veiculando promoção de crítica à estrutura de trabalho dos policiais em atividade no estado, quando também discorreu sobre os baixos salários da corporação, a falta de coletes balísticos, as condições ou a ausência de viaturas, entre outras circunstâncias.” Ex-soldado Matias Walter Matias Lopes, que não está mais na PM desde abril de 2016, é presidente da Aspobom. Fez discursos nas manifestações, ajudou a articular o movimento, conclamou os policiais a se aquartelarem. Seu nome aparece ainda em investigação da Polícia Federal. 100% dos PMs nas ruas O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Nylton Rodrigues, anunciou que todo o efetivo foi para as ruas do estado no sábado. Pela manhã, após 21 dias de protesto, mulheres de PMs e governo chegaram a um consenso e batalhões foram desocupados. Consenso A pedido do movimento, o governo do estado assumiu o compromisso de não abrir novos Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra os policiais. Para beneficiar o andamento da negociação, o MPT-ES e a Defensoria Pública da União recomendaram a suspensão, durante 15 dias prorrogáveis, dos PADs já instaurados, o que foi aceito pelo governo e pelas mulheres. Outro pedido feito pelas mulheres que foi aceito pelo governo foi a desistência das ações judiciais contra familiares e associações. O governo também concordou que promover o retorno de policiais transferidos aos postos originais em até 45 dias a partir da data da transferência. Em relação à organização das unidades da Polícia Militar, o governo se comprometeu a não transferir PMs da Grande Vitória para o interior. Crise na segurança O Espírito Santo teve o policiamento muito prejudicado durante sete dias, quando aconteceram diversos crimes. O governo chegou a declarar que não negociaria mais com os manifestantes até que todos os batalhões fossem desocupados. Até a noite desta sexta-feira, foram registrados 199 homicídios no estado, segundo o Sindicato dos Policiais Civis. A Secretaria de Segurança Pública informou que, até as 22h30, o efetivo de policiais estava completo em 61 municípios e parcial em 17.

 

 

Fonte: G1

Última modificação em Quarta, 01 Março 2017 10:47

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